A ditadura da felicidade

A ditadura da felicidade

Você se sente pressionado por estar sempre bem?

Se flagra às vezes comparando a sua vida com a de outras pessoas?

Sente que os outros esperam muito de você?

Você se sente fracassado quando está triste?

Se respondeu SIM a pelo menos uma das perguntas acima, continue lendo. E fique tranquilo, não se desespere, você não está sozinho!

Houve uma época em que a escravidão era considerada uma forma de trabalho e de vida quase que normal pela maioria das pessoas. Hoje em dia ouvimos falar de escravidão, porém como algo inaceitável, cruel e ilegal. Nos esquecemos que existe um tipo de escravidão às vezes forçada, às vezes voluntária ou até mesmo inconsciente. Em pleno seculo 21 voltamos a ser escravos. Estamos vivendo a ditadura da felicidade. É proibido sofrer. Se alguma coisa te faz mal, fuja dela ou simplesmente faça de conta que ela não existe. Sextou! E se você não aparece sorrindo com uma taça de vinho na mão numa foto nas suas redes sociais, alguma coisa está errada na sua vida.  

Todos os dias  eu passo em frente a um restaurante com um quadro na porta que diz: “Um dia sem sorrir é um dia perdido.” Desculpa, como assim? E o que acontece com os momentos de introspecção quando olhamos para dentro de nós mesmos e sentimos a necessidade de estar sozinhos?  

Nós somos seres cíclicos, e assim como a natureza passa pelas 4 estações do ano, nós também passamos por estados diferentes que de maneira cíclica se complementam e dão sentido uns aos outros. Medo e paz. Dor e prazer. Alegria e tristeza. Não estou falando de estar deprimidos ou mergulhados numa tristeza profunda. Mas sim de entender quando e porque nos sentimos tristes. A dor e o medo servem para dar sinais ao nosso corpo de que é preciso fugir, lutar ou parar. Se não sentíssemos medo ou dor estaríamos permanentemente nos dirigindo ao perigo. A tristeza e a melancolia também aparecem nas nossas vidas para cumprir um papel, trazer uma mensagem. Mas a ditadura da felicidade não nos deixa nem escutar essa mensagem. Ouvi um relato de uma pessoa que contava que o mesmo médico que lhe deu a notícia da morte do seu pai, lhe perguntou imediatamente se ela queria uma  receita de algum remédio para dormir ou para estar mais tranquila. Desculpa, já não podemos nem chorar a perda dos nossos entes queridos e viver o luto de maneira natural? As pessoas desenvolveram tamanha aversão à dor e ao sofrimento que com o mínimo sinal de que essas emoções podem estar se aproximando, querem se anestesiar. Ou o que é pior, anestesiar à pessoa que está passando por um momento difícil perto dela. A maioria das pessoas não quer e nem sabe lidar com a dor e o sofrimento. No lugar disso é mais fácil tomar um remédio e dormir. Quando vivemos a dor,  sentimos , entendemos, superamos, aprendemos dela, nós crescemos, amadurecemos e o mais importante nos respeitamos e somos compreensivos e amáveis com nós mesmos. Tentar mascarar ou fugir de um processo doloroso além de esconder debaixo do tapete uma emoção que pode vir a tona de maneira muito mais descontrolada no futuro, nos deixa completamente vulneráveis diante de sentimentos que podem ser muito mais devastadores que o sofrimento em si. Como podem ser a culpa e o arrependimento.  

E como viver a tristeza de maneira construtiva? 

Olhe para dentro de você. Se conheça. Trabalhe o seu autoconhecimento, assim você saberá quais são os fatos que te abalam mais, os momentos que te deixam mais vulnerável, as experiências que são mais desafiantes para você. Tendo um nível saudável de autoconhecimento, no momento que alguma situação de dor se apresenta na sua vida você é capaz de reconhecê-lo e de saber superá-lo vivendo o processo, sem fugir dele. Quando você se conhece bem, o sofrimento não te assusta, porque você sabe que sairá dele. Que é uma sensação que vem e vai assim como acontece também com a alegria. Ninguém é 100% feliz o tempo todo assim como ninguém é 100% triste o tempo todo.

Trabalhe a sua inteligência emocional. Saiba reconhecer as emoções quando elas se aproximam e aprenda a lidar com elas. Nada dura para sempre, nem a tristeza nem a alegria. E se você tem esse conhecimento a tristeza não é uma inimiga, ela se transforma numa aliada no seu processo de crescimento e amadurecimento. 

Etiquetas: , , , , , , , , ,

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *