Autenticidade Sustentável

Autenticidade Sustentável

Nos dias de hoje, mais que nunca ouvimos falar em autenticidade. Viver de acordo com a sua verdade, agir baseado nos seus valores e na sua essência. Mas afinal, o que é ser autêntico? 

Ser autêntico é uma arte. É muito fácil passar desapercebido no meio da multidão. Mas se destacar por ser original requer força, coragem e um alto nível de autoconhecimento.  E para que essa sua verdade se prolongue no tempo e faça parte de maneira genuína da sua vida, ela precisa ter uns pilares bem fortalecidos. 

Pense numa construção gigantesca. Uma torre de 30 andares com alta tecnología em todas as áreas. É indispensável uma base muito sólida para garantir a segurança e a solidez do edifício. A mesma coisa acontece com uma personalidade autêntica. Quanto mais genuínos somos, nos tornamos mais complexos e interessantes, e se faz necessário uma boa base estrutural. 

Por isso eu criei o termo “autenticidade sustentável”.  

Para termos uma personalidade e consequentemente uma vida autênticas, com poder de auto sustentação e sem que existam prejuízos ao ambiente, é indispensável o desenvolvimento e a solidez de 3 pilares: 

1: Autoconhecimento 

“O primeiro passo para viver de acordo com a sua essência é conhecê-la.” 

Quando algo tem autenticidade significa que é verdadeiro. A autenticidade é a natureza daquilo que é genuíno. Uma pessoa autêntica é aquela que é verdadeira, sincera e honesta com ela mesma e com os demais, e realmente é o que parece e o que diz ser. Mas para colocar tudo isso em prática antes é necessário conhecer essa essência.  

Eu tive uma cliente que estava se divorciando aos 48 anos, tendo começado o relacionamento com o ex marido aos 14. E a primeira coisa que ela me falou na nossa primeira sessão foi: “eu não sei do que eu gosto”. Ela tinha passado os últimos 34 anos vivendo de acordo com as preferências do seu marido e filhos. Uma pessoa que não conhece a sua essência não pode desenvolver a sua autenticidade. 

Por isso a construção do primeiro pilar que sustenta a vida autêntica começa num mergulho no autoconhecimento. 

2: Empoderamento (autoestima) 

“Não adianta nada saber quem você é, mas viver preocupado com o que os outros pensam de você.” 

Muitas pessoas sabem exatamente qual é a sua verdade, mas não vivem de acordo com ela por medo de não encaixar. O psicólogo doutor em RRHH da Universidade ESADE em Barcelona e autor do livro “Coaching por valores” Simon Dolan, no seu doutorado em psicologia do trabalho, observou que 90% dos pacientes que tinham sobrevivido a um ataque cardíaco relacionavam o problema de saúde ao estresse no trabalho e a um desalinhamento entre o seu dia a dia e os seus valores intrínsecos. Ou seja, aquelas pessoas que não vivem de acordo com a sua verdade têm  maior probabilidade de desenvolver problemas cardíacos. Além de uma questão de felicidade e qualidade de vida, é também uma questão de saúde física ter os nossos pensamentos, sentimentos e ações alinhados. O Brasil é o país com maior número de pessoas com ataques de ansiedade no mundo. Esse número está diretamente relacionado à insatisfação com a própria vida e em consequência uma sensação de viver sempre fora  de si mesmo. Esperando o fim de semana, esperando um grande amor, esperando o jogo do time favorito de futebol, esperando a missa ou culto religioso, enfim projetando no futuro as suas expectativas de viver de maneira mais leve e plena. E quando projetamos as nossas expectativas fora ou num tempo e lugar que não é o momento presente, isso gera um desequilíbrio que provoca ansiedade e em alguns casos até a depressão.  

Para deixar de sentir a necessidade de aprovação externa é indispensável fortalecer o pilar da autoestima através do empoderamento pessoal. 

3: Respeito pela autenticidade alheia 

“Viver de acordo com a sua essência invadindo e desconsiderando o espaço do outro, não é autenticidade. É falta de educação.” 

O último e igualmente importante pilar para sustentar a torre da autenticidade, é o respeito pelas outras pessoas e pelo meio ambiente. 

Existem pessoas que acreditam que ser autêntico é falar tudo aquilo que pensam sem “papas na língua”. Mas essa atitude ultrapassa os limites da autenticidade e se transforma em grosseria. É o extremo oposto ao medo de não encaixar. Costumam ser pessoas que aparentam ser muito fortes e ter uma autoestima elevada, mas que por trás escondem uma fragilidade que produz uma atitude de defesa com ataque.  

Uma pessoa que genuinamente fala gritando, tem que reconhecer onde termina o seu direito e começa o dos outros, e deve controlar o seu tom de voz por exemplo em uma reunião de família ou em um lugar público. 

O ser humano é um ser social. Nós precisamos relacionarmos com outras pessoas para viver em equilíbrio. E a pessoa que não respeita e agride o espaço dos outros acaba afastando todo mundo de perto dela. Viver de acordo com a sua essência, sem desfrutar e desenvolver habilidades sociais pode ser autêntico, mas não é sustentável. E o que nós estamos procurando é uma autenticidade que se sustente no tempo proporcionando felicidade e um nível elevado de qualidade de vida. E esse resultado passa por uma vida social saudável. 

Por isso o terceiro pilar para sustentar a base da torre da autenticidade é o respeito pela verdade e pelo espaço das outras pessoas. 

Trabalhando a nível consciente e subconsciente e colocando em prática esses três aspectos, se torna inevitável o desenvolvimento de uma vida autêntica sustentável. 

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